As exibições no festival de Cannes por reunir filmes e projetos do mundo inteiro, além de ser uma seleção especializada, atraem atenção dos compradores (distribuidores de filmes) que querem obter a exclusividade de exploração comercial em seus países.
Ao longo dos anos diversas apostas foram feitas, e em geral os filmes mais badalados são aqueles fruto de diretores, atores, roteiristas e sequências de filmes já produzidos.
Este ano, porém um filme de Hong Kong é quem mais chamou atenção dos compradores e do público de Cannes. "Sex and Zen 3D", rodado com câmeras 3D, orçamento de US$4 milhões e com o roteiro de uma história/novela famosa e proibida da dinastia Ming (a mais de 200 anos), foi sucesso de bilheteria em Hong Kong, batendo Avatar de James Cameron, e está sendo muito comentado durante o festival de Cannes com presença massiva de compradores em suas sessões de exibição.
O filme pastelão, retrata com humor esta história e é tratado como o 1º filme erótico 3D do mundo. O interessante é que as mulheres são público expressivo deste filme em Hong Kong, tendo inclusive como ação de marketing da produtora, sessões exclusivas para elas com o cinema fechado, aonde podem se divertir a vontade.
Além do mais as exibições tem atraído muitos turistas chineses, que estão aproveitando para assistir ao filme, ou indo exclusivamente para isto, nos cinemas de Hong Kong, pois consideram que a experiência 3D tem de ser aproveitada no cinema e sabem que dificilmente poderão assisti-lo em seu país.
Interessante estratégia de marketing e produção, entendendo o público alvo para ações específicas como com as mulheres, e fornecendo uma história em um formato inovador inserindo o gênero erótico nas produções 3D.
Mostrando postagens com marcador Mercado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mercado. Mostrar todas as postagens
domingo, 15 de maio de 2011
terça-feira, 3 de maio de 2011
No Brasil, 55% das pessoas em cidades assistem filmes piratas
Com mais da metade da população urbana do Brasil assistindo a filmes piratas, segundo pesquisa da MPAA (Associação Cinematográfica dos EUA), a indústria cinematográfica no país encara um mercado difícil, mas ao mesmo tempo promissor.
Gostaria de destacar 3 matérias do Diógenes Muniz, da Folha.com, que tratam sobre o assunto.
55% da população urbana vê filmes piratas no Brasil
A MPAA representa os maiores estúdios do mundo e se interessa pelo assunto que por consenso traz resultados negativos para a indústria, diminuindo a sua rentabilidade e lucratividade. Pirataria é atualmente ruim para a indústria e no futuro pode ser ruim também para o consumidor (caso perca-se qualidade e oferta de produto, devido a falta de capital para quem trabalha regularmente com entretenimento).
A pesquisa foi feita em diversos países, e apesar de ainda não divulgados muitos dados, acredito que em proporções diferentes em todos os países percebemos uma alta participação da pirataria no consumo de entretenimento.
Como atuar neste difícil mercado, desenhado por um comportamento do consumidor que corrói a lucratividade deste negócio?
Muitos representantes da indústria e a própria MPAA, ainda persistem em focar o ataque ao negócio da pirataria e parecem se esquecer que este comportamento também vem do consumidor (afinal, sem clientes não há vendas). Quando leio a entrevista "Democratizar a cultura não é nosso interesse, diz vice-presidente da MPAA", percebo que alguns argumentos usados por estes podem ser até antagônicos. Não tive acesso a pesquisa integral para saber se há ou não questões sobre os motivos que levam ao consumo pirata, porém vamos supor que para a maioria seja por que não possuir condições financeiras de consumir um filme na forma regular (Cinema, DVD, TV). Se estas pessoas não possuem capacidade financeira para consumir este tipo de produto, não são o público-alvo, por que então combater a pirataria já que não se objetiva democratizar a cultura ganhando maior mercado?
Isto é só uma suposição, pois percebo que o foco no combate a pirataria visa muito mais garantir uma rentabilidade curta deste dinheiro que é perdido pela indústria, visando recuperar a margem de lucro que é corroída face aos novos cenários, e não para uma solução a longo prazo que adéque as ofertas da indústria ao comportamento de seu consumidor.
Por fim, na matéria Indústria cinematográfica demora para se mexer, dizem especialistas percebo um pensamento congruente com o meu sobre esta questão.
Devemos encarar a pirataria como um problema econômico e que exige estratégias econômicas, de administração, de marketing, de compreensão do comportamento do consumidor, que vão muito além da abordagem política e social de repressão a este comércio (na rua) e comportamento (em casa), que já se mostrou a muito tempo ineficaz se encaminhada sozinha. A ideia é de inclusão e não de exclusão.
Tudo isto acontece ao mesmo tempo em que o audiovisual passa por uma revolução. A diretora Anna Muylaert resume o cenário promissor do audiovisual no mundo "Existe um paradoxo: se de um lado está caindo o número de pessoas que vão ao cinema, de outro está aumentando o número de pessoas que vêem filme. O audiovisual nunca esteve tão poderoso quanto hoje, e um exemplo disso é o YouTube". As produções cinematográficas estão mais acessíveis, a questão em relação a pirataria é em relação a como entregar estas produções de modo que todos saiam ganhando.
Para finalizar, o fato é que eu não sou contra a repressão a pirataria, porém entendo que a abordagem deste problema deve vir junto com políticas sociais por parte do governo e de estratégias diferenciadas por toda a indústria cinematográfica e stakeholders (estúdios, produtoras, distribuidoras, cinemas, locadoras, etc), que devem entender o novo consumidor de entretenimento e adaptar a sua oferta.
Gostaria de destacar 3 matérias do Diógenes Muniz, da Folha.com, que tratam sobre o assunto.
55% da população urbana vê filmes piratas no Brasil
A MPAA representa os maiores estúdios do mundo e se interessa pelo assunto que por consenso traz resultados negativos para a indústria, diminuindo a sua rentabilidade e lucratividade. Pirataria é atualmente ruim para a indústria e no futuro pode ser ruim também para o consumidor (caso perca-se qualidade e oferta de produto, devido a falta de capital para quem trabalha regularmente com entretenimento).
A pesquisa foi feita em diversos países, e apesar de ainda não divulgados muitos dados, acredito que em proporções diferentes em todos os países percebemos uma alta participação da pirataria no consumo de entretenimento.
Como atuar neste difícil mercado, desenhado por um comportamento do consumidor que corrói a lucratividade deste negócio?
Muitos representantes da indústria e a própria MPAA, ainda persistem em focar o ataque ao negócio da pirataria e parecem se esquecer que este comportamento também vem do consumidor (afinal, sem clientes não há vendas). Quando leio a entrevista "Democratizar a cultura não é nosso interesse, diz vice-presidente da MPAA", percebo que alguns argumentos usados por estes podem ser até antagônicos. Não tive acesso a pesquisa integral para saber se há ou não questões sobre os motivos que levam ao consumo pirata, porém vamos supor que para a maioria seja por que não possuir condições financeiras de consumir um filme na forma regular (Cinema, DVD, TV). Se estas pessoas não possuem capacidade financeira para consumir este tipo de produto, não são o público-alvo, por que então combater a pirataria já que não se objetiva democratizar a cultura ganhando maior mercado?
Isto é só uma suposição, pois percebo que o foco no combate a pirataria visa muito mais garantir uma rentabilidade curta deste dinheiro que é perdido pela indústria, visando recuperar a margem de lucro que é corroída face aos novos cenários, e não para uma solução a longo prazo que adéque as ofertas da indústria ao comportamento de seu consumidor.
Por fim, na matéria Indústria cinematográfica demora para se mexer, dizem especialistas percebo um pensamento congruente com o meu sobre esta questão.
Devemos encarar a pirataria como um problema econômico e que exige estratégias econômicas, de administração, de marketing, de compreensão do comportamento do consumidor, que vão muito além da abordagem política e social de repressão a este comércio (na rua) e comportamento (em casa), que já se mostrou a muito tempo ineficaz se encaminhada sozinha. A ideia é de inclusão e não de exclusão.
Tudo isto acontece ao mesmo tempo em que o audiovisual passa por uma revolução. A diretora Anna Muylaert resume o cenário promissor do audiovisual no mundo "Existe um paradoxo: se de um lado está caindo o número de pessoas que vão ao cinema, de outro está aumentando o número de pessoas que vêem filme. O audiovisual nunca esteve tão poderoso quanto hoje, e um exemplo disso é o YouTube". As produções cinematográficas estão mais acessíveis, a questão em relação a pirataria é em relação a como entregar estas produções de modo que todos saiam ganhando.
Para finalizar, o fato é que eu não sou contra a repressão a pirataria, porém entendo que a abordagem deste problema deve vir junto com políticas sociais por parte do governo e de estratégias diferenciadas por toda a indústria cinematográfica e stakeholders (estúdios, produtoras, distribuidoras, cinemas, locadoras, etc), que devem entender o novo consumidor de entretenimento e adaptar a sua oferta.
terça-feira, 29 de março de 2011
Filmes em clubes de compra coletiva
Li no m³ que os clubes de compra coletiva dos EUA estão abrindo as portas para Hollywood. O filme "The Lincoln Lawyer" foi anunciado no clube de compras Groupon, e teve uma estimativa de vendas de 190.000 ingressos vendidos após a semana de anúncio.
Os clubes de compras online, são uma nova mania mundial. Junto com outras pessoas, os usuários ganham a barganha de descontos nos preços dos produtos e serviços. Anunciar descontos de filmes nestes grupos é uma forma inovadora de atingir um público expressivo e crescente, que pode se interessar, assistir e comentar sobre o filme, após ter a vantagem de pagar um preço menor para isto.
A margem de lucro no ingresso caí, mas os ganhos em publicidade espontânea podem posteriormente recuperar estes valores através dos ingressos cheios.
O autor do m³ comenta também que os clubes de compra podem apresentar vantagem para os filmes independentes e em especial aqueles que podem ser assistidos por demanda, pela Internet (você pode fazer o dowload do filme ou streaming, e assistir na hora que for mais conveniente). Para os filmes independentes, que possuem orçamentos baixos de promoção, os clubes de compras podem representar uma importante ferramenta para atingir um expressivo público, que dê outra forma, talvez não fosse capaz de impactar ou mesmo de se interessar para assistir ao filme. Um maior número de expectadores compensa a perda de margem nos ingressos e principalmente eleva o patamar do filme, que de independente pode se tornar "hype".
Quando veremos isto no Brasil...? Acho que logo...
Os clubes de compras online, são uma nova mania mundial. Junto com outras pessoas, os usuários ganham a barganha de descontos nos preços dos produtos e serviços. Anunciar descontos de filmes nestes grupos é uma forma inovadora de atingir um público expressivo e crescente, que pode se interessar, assistir e comentar sobre o filme, após ter a vantagem de pagar um preço menor para isto.
A margem de lucro no ingresso caí, mas os ganhos em publicidade espontânea podem posteriormente recuperar estes valores através dos ingressos cheios.
O autor do m³ comenta também que os clubes de compra podem apresentar vantagem para os filmes independentes e em especial aqueles que podem ser assistidos por demanda, pela Internet (você pode fazer o dowload do filme ou streaming, e assistir na hora que for mais conveniente). Para os filmes independentes, que possuem orçamentos baixos de promoção, os clubes de compras podem representar uma importante ferramenta para atingir um expressivo público, que dê outra forma, talvez não fosse capaz de impactar ou mesmo de se interessar para assistir ao filme. Um maior número de expectadores compensa a perda de margem nos ingressos e principalmente eleva o patamar do filme, que de independente pode se tornar "hype".
Quando veremos isto no Brasil...? Acho que logo...
sábado, 12 de março de 2011
Sucesso do cinema nacional
O cinema nacional vive uma fase de altos lançamentos. Depois de Tropa de Elite ser o filme de maior bilheteria no país, Bruna Surfistinha estreiou com a segunda maior bilheteria do ano.
A alta do cinema nacional é resultado de muito trabalho competente e de uma maior compreensão do mercado. Nossa riqueza cultural é oportunidade para nos tornarmos potência no cinema mundial e a hora é agora. Atores e Atrizes consagrados conseguem levar o público aos cinemas, e apesar de vivermos certos estigmas em relação ao que retratamos nos filmes de maior sucesso (violência/sexo/humor café com leite), filmes como "O ano em que meus pais sairam de férias" e "O Contador de Histórias" mostram que podemos sim ter sucesso falando sobre coisas diferentes do que somo estigmatizados.
Um aumento de valor dos filmes nacionais, pode e deve trazer mais investimentos para novos projetos, que tenham propostas diferenciadas e que possam saciar o público brasileiro, o mercado necessita de mais ícones (valorização de atores, atrizes, roteristas, diretores, produtoras), investimento em tecnologia, mais marketing, histórias relevantes e não somente (mas também) filmes críticos, além de filmes simplesmente para diversão.
A hora é agora e tenho certeza que o Brasil vai começar a despontar como uma grande potência de cinema e entretenimento mundial, acompanhando assim o seu crescimento como país.
A alta do cinema nacional é resultado de muito trabalho competente e de uma maior compreensão do mercado. Nossa riqueza cultural é oportunidade para nos tornarmos potência no cinema mundial e a hora é agora. Atores e Atrizes consagrados conseguem levar o público aos cinemas, e apesar de vivermos certos estigmas em relação ao que retratamos nos filmes de maior sucesso (violência/sexo/humor café com leite), filmes como "O ano em que meus pais sairam de férias" e "O Contador de Histórias" mostram que podemos sim ter sucesso falando sobre coisas diferentes do que somo estigmatizados.
Um aumento de valor dos filmes nacionais, pode e deve trazer mais investimentos para novos projetos, que tenham propostas diferenciadas e que possam saciar o público brasileiro, o mercado necessita de mais ícones (valorização de atores, atrizes, roteristas, diretores, produtoras), investimento em tecnologia, mais marketing, histórias relevantes e não somente (mas também) filmes críticos, além de filmes simplesmente para diversão.
A hora é agora e tenho certeza que o Brasil vai começar a despontar como uma grande potência de cinema e entretenimento mundial, acompanhando assim o seu crescimento como país.
Assinar:
Postagens (Atom)





